Um
sabor chamado lima
Um
desejo que chama o teu
Um
sabor que me salga a língua
E
lhe adoça a vida com o suor que meu
Melanina
me transpassa a pele
Se
dilui em água salgada de mim
Corre
em minha pele rio de melanina
Que
já diluída transparente fez-se
Fez-se
poesia, poema e rima
Métrica
melódica que me canta a vida
Melodia
avisto embalando o ritmo
Que
pulsa em meu peito feroz desatino
Não
fale em destinos, em cartografia
Mapas
que me levem, caminhos ou trilhas
Me
encontro em veredas, me atiro aos riscos
Se
não for amor, não me atrevo nem ao cisco
Cisco
que em meu olho quis fazer morada
Me
forçando a lagrima que tu não choraste
Projetou
em mim sentimentos piegas
Que
transcrevo em versos sobre sua dor
Que
também é minha, afilhada nossa
Cantada na bossa que o violão cantou
Hoje
eu canto aqui, canto em minha pele
Salgando
a boca que a possui
Sangrando
o peito que me fez desejo
Mais
não se fez o beijo de me possui
Lima
minha lima, minha doce lima!
Azedou-me
em rima que me fez assim
Sal
saltando a pele, olhos e feridas
Lagrima,
suor, sangue em minha língua
Língua
minha língua, minha doce língua!
Que
colhe em tua pele sob sua dormida
O
suor da pele, a lagrima em meus lábios
O
sangue que embebo e firmo nossos laços
Do
vermelho doce da ferida aberta
Colho
em meus lábios direto da brecha
Vermelho
de rosa, rosa amarela
Pespontado
espinho sempre à minha espera
Encarnando
a carne
Encravando
em sangue
Tatuagem
em pele sensível de amante
Marcada
a dentes, unhas, arranhões
Meu
segredo oculto, público tornou-se
Meu
pecado: amar.
Minha
inconsequência: não desistir do amor.
Meu
defeito é ao amor me lançar
Sem
ter medo do que há de encontrar
Meu
perfume encontrou-se em teu corpo nu
A
inebriar-me as narinas e sonhos
Meu
sabor mina em abundancia do teu sexo
Local
que só os meus lábios conseguem acessar para a colheita
Teu
olhar meu mirante para o futuro
Em
teus braços meu aconchego seguro
Em
tua voz embalo meus sonhos neste mundo
Cujo
os pesadelos em cada esquina dobram o meu muro
Lima,
lima, minha doce lima!
Que
sabor tu trazes a minha azeda vida?
Que
gosto tu traz a minha doce rima?
Língua,
língua, minha doce língua!
Que
verso tu tens guardado para mim?
Que
poema irá compor em poesia?
Que
sussurros poetizados falará sobre minha sina?
Que
gesto indigesto me negará você?
Para
sufocar meu verso e azedar minha métrica
Mais
que poema se sustenta na melosidade da abelha?
É
preciso o contragosto para apreciarmos realmente o sabor do manjar
A
cigarra canta como ninguém o amor
Mais
canta estridente a nos confundir
Se
atrás do seu canto há dor ou sorrir
Lima,
lima, minha doce lima!
Traz
teu sabor como contragosto a vida
Traz
teu sabor como opção distinta
Traz o teu sabor, porque sei que é nele que apreciaremos a vida!
Um
sabor chamado lima
Cleiton
Lima
Maranguape
25 de agosto de 2015
