quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Um sabor chamado lima


Um sabor chamado lima
Um desejo que chama o teu
Um sabor que me salga a língua
E lhe adoça a vida com o suor que meu
Melanina me transpassa a pele
Se dilui em água salgada de mim
Corre em minha pele rio de melanina
Que já diluída transparente fez-se
Fez-se poesia, poema e rima
Métrica melódica que me canta a vida
Melodia avisto embalando o ritmo
Que pulsa em meu peito feroz desatino
Não fale em destinos, em cartografia
Mapas que me levem, caminhos ou trilhas
Me encontro em veredas, me atiro aos riscos
Se não for amor, não me atrevo nem ao cisco
Cisco que em meu olho quis fazer morada
Me forçando a lagrima que tu não choraste
Projetou em mim sentimentos piegas
Que transcrevo em versos sobre sua dor
Que também é minha, afilhada nossa
Cantada na bossa que o violão cantou                                                          
Hoje eu canto aqui, canto em minha pele
Salgando a boca que a possui
Sangrando o peito que me fez desejo
Mais não se fez o beijo de me possui
Lima minha lima, minha doce lima!
Azedou-me em rima que me fez assim
Sal saltando a pele, olhos e feridas
Lagrima, suor, sangue em minha língua
Língua minha língua, minha doce língua!
Que colhe em tua pele sob sua dormida
O suor da pele, a lagrima em meus lábios
O sangue que embebo e firmo nossos laços
Do vermelho doce da ferida aberta
Colho em meus lábios direto da brecha
Vermelho de rosa, rosa amarela
Pespontado espinho sempre à minha espera
Encarnando a carne
Encravando em sangue
Tatuagem em pele sensível de amante
Marcada a dentes, unhas, arranhões
Meu segredo oculto, público tornou-se
Meu pecado: amar.
Minha inconsequência: não desistir do amor.
Meu defeito é ao amor me lançar
Sem ter medo do que há de encontrar
Meu perfume encontrou-se em teu corpo nu
A inebriar-me as narinas e sonhos
Meu sabor mina em abundancia do teu sexo
Local que só os meus lábios conseguem acessar para a colheita
Teu olhar meu mirante para o futuro
Em teus braços meu aconchego seguro
Em tua voz embalo meus sonhos neste mundo
Cujo os pesadelos em cada esquina dobram o meu muro
Lima, lima, minha doce lima!
Que sabor tu trazes a minha azeda vida?
Que gosto tu traz a minha doce rima?
Língua, língua, minha doce língua!
Que verso tu tens guardado para mim?
Que poema irá compor em poesia?
Que sussurros poetizados falará sobre minha sina?
Que gesto indigesto me negará você?
Para sufocar meu verso e azedar minha métrica
Mais que poema se sustenta na melosidade da abelha?
É preciso o contragosto para apreciarmos realmente o sabor do manjar
A cigarra canta como ninguém o amor
Mais canta estridente a nos confundir
Se atrás do seu canto há dor ou sorrir
Lima, lima, minha doce lima!
Traz teu sabor como contragosto a vida
Traz teu sabor como opção distinta
Traz o teu sabor, porque sei que é nele que apreciaremos a vida!

Um sabor chamado lima
Cleiton Lima
Maranguape 25 de agosto de 2015
  


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