quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Sobre o tempo e sua veloz passagem


Sobre o tempo e sua veloz passagem
E o que trilhamos e alimentamos nesse curto caminho

É hora, sim, já é hora!
É tarde, sim, já é tarde!
Não dar mais tempo!
O tempo acabou!

Qual dessas frases já permeou seu pensamento
Diante do que deveria ser feito e não foi?
Quando você ficou adiando até se tornar o nunca ou adeus,
Ou talvez deveria ter dado certo, mais agora não dar mais?
O que deveria até hoje ser presente e não passa de ausência?
O que até hoje deveria ser concreto e é só espera?
O que até hoje você sonha mais virou pesadelo?
Até onde você deu asas ao seu medo?
Até onde eles dominam teus nervos?
O tempo corre, não pedi licença, não dar passagem
Não tem trégua, o tempo corre desesperadamente
É preciso situar as nossas urgências
Hoje refiz minha agenda, adiei alguns compromissos
E elegi o que realmente tem urgência e pressa
Acordei as quatro, para contemplar o nascer do sol
Vê-lo desvirginar o céu, banhando-o de vermelho
Para depois lhe lavar de azul piscina
Ouvi o canto dos pássaros dando bom dia ao dia
Beijei beija-flores, caminhei devagar
Observando o que a correria do dia-a-dia não me deixa ver
Vi crianças brincando na rua
Velhinhos de mãos dadas envelhecendo mais, diante da vida
Vi namorados noivando, noivos casando
Vi gente nascendo, vi gente morrendo
Vi a vida de bandeja me servindo o que de melhor nela havia
Vi a vida! Simples! Singela! Com cheiro de terra e de gente!
E isso não tem nada a ver com roupa de grife
Carro do ano, conta no banco
Isso não tem na a ver com cor da pele
Sexualidade, religião, politica, idade, berço
Vi a vida de bandeja!
E ela era tudo que não nos permitimos ver no dia-a-dia
E vi também que ela corre
Mais rápido do que podemos acompanhar ou imaginar
Ao meu redor todos se socializavam nas redes sociais
Mais não tinham ninguém de verdade
Sob a intensa e aquecida vida social deles
O frio congelante da solidão
Sob os beijos e abraços e aplausos figurados nos desenhos enviados
O desejo de alguém de verdade
Sob as palavras doces de: Amigo! Saudade! Te amo!
O amargo no peito gritava: Cadê você de verdade?
As palavras eram um esboço sujo e sem sabor
Reflexos desbotados do que gritava suas almas
O que estamos fazendo da vida enquanto ela corre?
E corre... E corre... E corre... E corre!
E nos envelhece, e nos enruga, e nos tinge os cabelos de brancos?
A vida tem pressa em se consumir
É seu destino de fênix se reconfigurar a cada 24 horas
Porém, não é o destino do homem!
Somos efêmeros, e perdidos muitas vezes em tudo
Menos em nós mesmo e na vida
Reprograme sua agenda
O tempo tem pressa e não dar segunda chance
Der mais tempo para você mesmo
Vá a mais a almoços de famílias
Abençoe mais seus sobrinhos e afilhados
Faça mais festinhas e vá mais ao cinema com os amigos
Beije mais na boca, abrace mais
Sorria mais, ser feliz não requer motivos
Ser feliz é solução!
Estude o suficiente, conheça o necessário e indispensável
Conheça a vida! As palavras e sua força, seu jardim
Se não tem plante um, converse com as flores
Dialogue com seu cachorro
Dance mais ao som do bem-te-vi
Escute os conselhos das crianças, elas sim sabem o que fazem e falam
Caminhe almejado a sabedoria dos mais velhos
Brinque o que a vida não lhe permitiu brincar na infância
Reviva a criança que adormece em tuas entranhas
E renasça em você bondade, a ingenuidade e a pureza
Que habita o mais profundo de nossa gênesis
Ame! Enquanto a vida ainda permite, ame!
E diga as palavras doces, melosas, e piegas de amor
Pois haverá o tempo que você desejará dizê-las
E a pessoa amada já não mais estará aqui
Pague os micos necessários e indevidos
Por esse amor vez ou outras
E quando parece que tudo está normal demais
Pague-os novamente de forma mais piegas possível
Amar vale todos os desafios e riscos que se possa correr
Aos amigos, morra e mate por eles
E não vá dormi sem lhes dar boa noite
Vá a aniversários, formaturas, chá de baby
Chá de panela, de casa nova, de capim santo, de erva-cidreira
Vá a casamento com ou sem roupa nova, com ou sem presentes
Vá a batizados, faça amigos secretos ou da onça
Viva de verdade enquanto a vida ainda permite a vida
O mundo não evoluiu como nos querem fazer acreditar
O mundo na verdade regrediu, mais não nos permitem ver isso
A única evolução clara e explícita
É a da tecnologia de massa de nos afastar um dos outros
Através da comodidade das ilusões
Vá a velórios!
Beba o morto no café, no chá com bolacha, na cachaça
Viva os rituais que nos uni enquanto a vida não nos separa
E se nos separa, viva o ritual da separação para mesmo assim estarmos unidos
A vida tem pressa, e não espera
Então, não espere ela se esvair de você para querer viver de verdade
Viva agora, o hoje é o melhor tempo para se começar e recomeçar
E o momento certo para realizar seus sonhos é no hoje
O momento certo para amar de verdade, é agora!

                                                                                                                                 Sobre o tempo e sua veloz passagem
                                                                                                                                                            E o que trilhamos e alimentamos nesse curto caminho
                                                                                                                                                                                                                             Cleiton Lima

                                                                                                                                                                                              Maranguape 07 de julho de 2015