Olha
com profundidade
Olha
além por favor
Olha
além do perfume
Enxergue
a tristeza da flor
Olhe
esse vermelho vibrante
Olhe
o que há por traz dele
Permita-se
olhar no olhar
Dessa
rosa angustiada em dor
Não
se limite a enxergar o encarnado
Toque
na pétala aveludada dessa flor
Sinta
o pulsar desritimado com euforia
Do
miocárdio dilacerado pétala em flor
Olha
o espinho a sangrar a rosa
Olhe
o sorriso a esconder a dor
Olha
o olhar delicado da rosa
A
esconder sua fragilidade em cor
Olha
a rosa sempre vermelhinha
Veja
o espinho a revigorar essa cor
Olha
o doce olhar dessa rosa
Abafando
a angustia e a dor
Olha
o espinho a sangrar constantemente a rosa
Para
nos presentear com esse vermelho sem fim
Enxerga
o nosso olhar sobre a beleza finita
A
alimentar o sofrimento sem fim
Olha
beleza esculpida no sofrer
Olha
os espinhos imponentes a sorrir
Olhe
a rosa sempre tão frágil e delicada
Veja
o porquê dessa inconstância sem fim
Olha
a rosa sempre vermelhinha
Sempre
vermelhinha por que tu queres assim
Olha
o que alimenta essa tão vibrante
Olha
o espinho a sangrá-la sem fim
Se
permita olhar além do perfume
Olhe
de perto com profundidade enfim
Enxergue
o espinho a sangrar constantemente a rosa
Para
lhe presentear com o vermelho sem fim
Toda rosa vermelha foi sangrada pelo espinho
Cleiton
Lima Maranguape 12 de março de 2010